Americo Pinto recebe o “PMI Distinguished Contribution Award” em Dallas

Em outubro, o Project Management Institute (PMI) tradicionalmente realiza a sua principal conferência mundial, o PMI North America Global Congress, esse ano realizado em Dallas, Texas, EUA.

Durante este evento é realizada uma das premiações mais importantes da área de Gerenciamento de Projetos, o “PMI Awards”, reconhecendo profissionais, acadêmicos e empresas que se destacaram no mundo por suas realizações e contribuição para o desenvolvimento da disciplina de gerenciamento de projetos.

Em 2011, o brasileiro Americo Pinto recebeu o prestigiado “PMI Distinguished Contribution Award”, por sua contribuição e, em especial, por seu trabalho com o PMSURVEY.ORG, iniciativa de pesquisa idealizada e coordenada por Americo desde 2003.

O PMSURVEY.ORG, conhecido anteriormente no Brasil como Estudo de Benchmarking,  é desenvolvido conjuntamente por capítulos do PMI em cinco diferentes países, contando com a participação de mais de 700 organizações em todo o mundo.

No website www.pmsurvey.org podem ser encontrados gratuitamente os relatórios dessa pesquisa anual, mostrando as práticas de gerenciamento de projetos mais utilizadas nas empresas e os resultados observados.

O site oferece ainda uma poderosa ferramenta de pesquisa, a qual permite aos usuários criar seus próprios relatórios, a partir de filtros e segmentações.

Em outubro de 2012, o PMI North America Global Congress será realizado na cidade de Vancouver, no Canadá.

Como estabelecer indicadores de desempenho para um PMO

Neste post gostaria de compartilhar com todos uma discussão bem interessante.

Recebi um email do Ricardo Bristotti, PMO da Diretoria de Marketing da Telefônica e companheiro em um grupo que participo formado por PMOs do Brasil, perguntando sobre indicadores de desempenho para PMOs.

Vejam abaixo a resposta que enviei para ele sobre o assunto:

Olá Ricardo,
É uma satisfação voltar a manter contato contigo.

Entendo perfeitamente a sua demanda. De fato, é uma necessidade comum e constante na grande maioria dos PMOs que conheço.

Gostaria de compartilhar contigo algumas idéias para reflexão, fundamentadas na minha experiência e, principalmente, no trabalho de pesquisa que venho desenvolvendo no doutorado.

Mensurar o desempenho do PMO é o desafio. Mas o que deve ser avaliado afinal de contas? O sucesso do projeto representa o sucesso do PMO? E o sucesso do PMO representa o sucesso do projeto? Muitas perguntas… E as respostas não são tão imediatas.

Após refletir e estudar bastante o assunto, cheguei a algumas conclusões pessoais, as quais compartilho agora com você.

No artigo sobre o PMO Maturity Cube, o qual você talvez tenha lido ao aplicar o modelo, sugerimos que um PMO pode ter diferentes configurações, baseadas em duas dimensões: Escopo de influência e Abordagem de atuação.

O Escopo de influência de um PMO é dado em função da abrangência da sua atuação dentro da organização. Basicamente existem três possibilidades mutuamente excludentes: o PMO Programa-Projeto, que tem como abrangência apenas um projeto ou programa da organização; o PMO Departamental, que abrange uma área, departamento, diretoria ou unidade de negócio, ou seja, apenas uma parte da organização; e, por fim, o PMO Corporativo que abrange a organização como um todo. Escolha um e você já tem o seu PMO!

A Abordagem de Atuação diz respeito a como o PMO atua junto a seus clientes. Essa atuação pode ser de caráter estratégico, tático ou operacional, podendo ainda ter simultaneamente os três tipos de atuação. Na verdade, o direcionador da abordagem de um PMO deve ser a sua missão, a qual definirá o quão estratégico, tático ou operacional ele deve ser. Defina a sua missão e atue nas abordagens que forem necessárias para atender as demandas existentes!

Outro conceito que foi apresentado no artigo é que um PMO oferece serviços (funções) aos seus clientes. Estes serviços podem ser Estratégicos (Ex: Apoiar a gestão do portfolio), Táticos (Ex: Prover Metodologia de GP) ou Operacionais (Ex: Apoiar o Planejamento dos Projetos). Nada impede que um PMO transite nas três abordagens, desde que isso esteja alinhado a sua missão, que é dada pela necessidade de seus clientes (Ex: Alta Diretoria e Gerentes de Projetos).

Dessa forma, voltamos a uma pergunta que eu fiz agora há pouco: O sucesso do projeto representa o sucesso do PMO? A resposta é: depende! Depende dos serviços que ele oferece aos seus clientes.

Imagine que o PMO está focado apenas em preparar relatórios gerenciais para a diretoria, captando as informações com os gerentes de projetos, formatando em um relatório executivo e encaminhando para os alto gestores. Seria razoável cobrar do PMO o insucesso do projeto? Qual o grau de influência que ele tem sobre isso?

Por outro lado, se temos um PMO que se propõe a apoiar o planejamento dos projetos, suportando os gerentes no desenvolvimento dessa atividade, aí a situação é diferente. Existe uma relação mais clara entre o que o PMO faz e o resultado dos projetos. Nesse caso, faria mais sentido imaginarmos que o sucesso do projeto pudesse ser um bom indicador para o sucesso do PMO.

Mas talvez você se pergunte: Mas tudo o que um PMO faz não deveria ser em benefício dos projetos. A resposta é: sim! O que não quer dizer que tudo o que o PMO faz tem que ser medido exatamente dessa forma, sob pena de estabelecer indicadores sobre os quais o PMO não consegue efetivamente atuar.

Outra pergunta: Mas um PMO que só gera relatórios faz sentido? Resposta: essa não é a questão. A questão é: Quais são necessidades hoje dos clientes do PMO, considerando inclusive o nível de maturidade dos clientes e da própria organização?

Gerar valor efetivo é função de qualquer PMO e concordo plenamente que fazer relatórios não é a maneira mais eficaz de gerar valor. Entretanto, nem todas as organizações e nem todos os clientes estão preparados para demandar e perceber valor em determinados serviços que o PMO pode oferecer, visto que não estão suficientemente maduros para isso. Seria como oferecer um Iphone para alguém que viveu a vida inteira no interior do interior, sem acesso a nada (Apesar que hoje em dia haveria controvérsias!). Será que ele verá valor nisso? Mas não perceber valor hoje significa que não existe valor?

Em outras palavras, um PMO possui clientes. Os clientes possuem necessidades. O PMO deve atender a essas necessidades oferecendo serviços no âmbito estratégico, tático ou operacional, conforme a demanda e a sua missão.

Quanto mais sofisticada for a oferta de cada serviço, mais valor será gerado e mais maduro será o PMO. Conforme a organização amadurece, alguns serviços podem perder o sentido e devem ser descontinuados e outros devem ser incorporados, agora que a organização é capaz de perceber seu valor (opa, agora nosso amigo é capaz de perceber o valor do Iphone!).

Olhando agora sob outra perspectiva: Se um PMO oferece serviços, como ele deveria ser medido? Na minha concepção, a medição do desempenho de um PMO deve ser realizada pensando-se em cada serviço oferecido.
Vamos supor que o PMO oferece o serviço de “prover relatórios”. Como poderíamos medir o desempenho? Atrasos na entrega? Correção da informação?

E se o serviço fosse “treinar em gerenciamento de projetos”? Que tal medirmos o desempenho com o número de horas de treinamento por ano? Ou então com a quantidade de pessoas treinadas?

Mas se o serviço for “apoiar o planejamento e o controle de projetos”, ou ainda “prover coaching para os GPs”? Nesse caso, talvez fizesse todo o sentido estabelecermos também indicadores relacionados ao desempenho dos projetos (prazo, custo, etc.), visto que teremos influência sobre o que está sendo feito em termos de planejamento e controle, ou no mínimo, sobre a competência dos GPs.

O interessante é que se raciocinarmos dessa forma, podemos inclusive estabelecer SLAs (Service Level Agreements) para cada serviço prestado pelo PMO, com indicadores de qualidade e metas, fechadas em comum acordo com os clientes. Esse é o PMO nota 10!

É isso hoje que faço nos PMOs que implemento ou que presto assessoria. Sendo muito franco, não vejo outra forma de se fazer um acompanhamento efetivo do desempenho do PMO. Alguns talvez questionem essa visão, argumentando que devemos medir o resultado do PMO para o negócio. Acho maravilhosa essa visão, porém ainda não descobri como implementá-la a ponto de mostrar algo crível. Sendo assim, em função do meu alto nível de pragmatismo, acredito que o foco sempre deva ser garantir que o PMO está cumprindo aquilo a que ele se propõe, dentro da sua missão e de acordo com as necessidades de seus clientes.

Teremos um benefício para o negócio? Sim, mas daí a transformá-lo sempre em algo direto, mensurável e, principalmente, compreensível, acho que vai uma distância bem grande e que nem sempre é fácil ou possível percorrer, sob pena de fazer julgamentos tão subjetivos que coloquem em dúvida a qualidade da informação.

Enfim, meu caro, essa é uma boa discussão. Se um dia desses quiser marcar um papo a respeito, conte comigo. Estou fazendo um doutorado em GP na França e a minha tese é justamente relacionada a criar correlações entre os serviços que o PMO oferece e os benefícios observados (veja que estou trabalhando na percepção do benefício!). Fiz até um piloto recente com a Serasa Experian, que é uma referência em termos de PMO. Se quiser conhecer os resultados me fale.

Se te interessarem, outras referência a respeito:
“The Advanced Project Management Office”, de Parvis Rad e Ginger Levin, fala um pouco sobre indicadores, mas com foco no projeto, no capítulo 2.
“Advanced Project Portfolio Management and the PMO”, de Gerald Kendll e Steve Rollins, fala sobre sistema de medição de performance no capítulo 22, com foco em resultado de negócio.
“The Complete Project Management Office Handbook”, de Gerard Hill, fala sobre métricas de PMO no capítulo 3, com foco no projeto.
“The Program Management Office Advantage”, de Lia Tjahjana, Paul Dwyer e Mohsin Habib, fala brevemente sobre performance do PMO no capítulo 17.
Te adianto que nenhum deles vai te dar o “caminho das pedras”.
No mais, em outros tantos livros que já pesquisei, apenas algumas referências superficiais ao assunto.

Espero que tenha colaborado de alguma forma com mais esse ponto de vista sobre o assunto. Longe de ser o dono da verdade, ficaria muito feliz em poder receber suas considerações e comentários a respeito dessa idéia.

Um grande abraço e conte comigo sempre que precisar.

PS: Fico feliz em saber que você utilizou o PMO Maturity Cube. Se tiver alguma dúvida ou precisar de algo mais, entre em contato comigo.

Americo Pinto

Consórcio CCPR (Camargo Corrêa e Promon) fatura o Prêmio Projeto do Ano FGV/MundoPM

Consórcio CCPR (Camargo Corrêa e Promon) fatura o Prêmio Projeto do Ano FGV/MundoPM

Fonte: Website Revista MundoPM – www.mundopm.com.br

A cerimônia de premiação aconteceu no dia 10/12/2010 na sede da FGV em São Paulo.  Este ano a premiação foi para três categorias: Projeto do Ano, Projeto Inovador do Ano e Projeto Acadêmico do Ano.  Foram vários projetos candidatos e a seleção dos finalistas foi acirrada.

Na categoria Projeto do Ano o vencedor foi o consórcio CCPR da construtura Camargo Corrêa e Promon Engenharia, pelo projeto de construção da planta de Coqueamento Retardado na refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR). E o gerente de projeto do ano é o engenheiro diretor de projetos Silvio Luiz Zen.

O segundo colocado foi o projeto do Banco Santander Brasil, referente a integração com o Banco Real e o terceiro colocado foi o projeto do Sistema de Teleférico no Complexo de Favelas do Alemão no Rio de Janeiro, um projeto da Construtora Odebrecht.

Na categoria Projeto Inovador do Ano 2010 o vencedor foi a empresa T-Gestiona (Grupo Telefônica) pelo projeto de Logística Reversa.

Os projetos vencedores terão seus casos de sucesso publicados em edições futuras da revista MundoPM.

Afinal, o que é um VMO (Value Management Office) ?

Afinal, o que é um VMO (Value Management Office)?

Pelo o que tenho pesquisado, o termo VMO começou a ser utilizado com mais frequência há bem pouco tempo.

A primeira vez que ouvi foi em 2008, no PMI North America Global Congress, em Denver, EUA. Um renomado palestrante e consultor falou um pouco sobre a idéia de VMO e o quais seriam suas diferenças em relação ao PMO. Na Internet, por exemplo, encontramos raras referências ao assunto.

De forma geral, a idéia é que cumprir prazos, custos e qualidade não garante valor efetivo para o projeto. Em outras palavras, a entrega do projeto não é ou não deveria ser o fim. Pelo menos não no que tange as preocupações de um PMO.

A questão do gerenciamento dos benefícios (ou valor efetivo para a organização) é um dos pontos principais aos quais deveria se ter atenção após o fim do projeto. Nosso projeto fechou no prazo e no custo? Ok! Porém ele realmente gerou os benefícios e valor que esperávamos? Eis a questão!

E, como um PMO, o que é necessário fazer para garantir que isso aconteça?

A verdade é que poucas organizações são hoje capazes de saber de fato o quanto cada projeto gerou de valor, incluindo aí tanto valor tangível quanto intangível. Sem dúvida é um grande desafio que ainda será endereçado nos próximos anos.

A transição de um PMO para um VMO, nada mais seria do que a mudança do foco de preocupação do PMO, passando de uma atuação mais direcionada a questões metodológicas e orientadas a entrega do projeto, para questões mais relacionadas ao valor que se espera criar por meio de benefícios. Ou seja, uma atuação bem mais estratégica e que tem uma forte ligação com o tema gestão de portfólio.

A pergunta é: O PMO deixa de ser PMO para se tornar um VMO? Aqui entre nós, deixando de lado os acrônimos interessantes, o fato é que um PMO pode e deve atuar em diversas dimensões (a experiência mostra isso!), desde questões operacionais até estratégicas, desde que essa seja a necessidade da organização e que ela tenha maturidade para isso. Ele não precisa deixar de ser uma coisa para ser outra. São necessidades diferentes que devem ser endereçadas por funções/serviços diferentes. É o mesmo que dizer que um PMO deve deixar de ser operacional para se tornar estratégico. Isso não é verdade! (leia mais sobre isso acessando o artigo “PMO Maturity Cube” na área de downloads).

Pelo o que tenho visto em minhas pesquisas e visitas a PMOs no Brasil e no exterior (e foram mais de 100 PMOs visitados nos últimos 18 meses) , poderia dizer que existem sim PMOs que se comportam como VMOs (ou pelo menos tentam!), mas que isso ainda é relativamente raro.

Não porque ser VMO é uma grande idéia nova, mas porque para chegar a esse ponto a organização necessita de um razoável nível de maturidade.

Pela minha experiência, eu diria que ser VMO nada mais é do que incorporar novos serviços a um PMO que já poderia atuar de forma mais operacional/tática (por exemplo, fornecendo metodologia e apoio ao planejamento).

Esse mesmo PMO poderia passar a atuar também no gerenciamento de valor/benefícios, o que tem uma forte relação com as questões estratégicas e o portfólio.

Existe um livro bem interessante chamado Project Benefits Management, de Trish Melton. Eu recomendo fortemente para aqueles que tiverem interesse nesse assunto

Também sou filiado já há alguns anos ao Institute of Value Management. Apesar de não ter um foco específico em projetos, tem algumas coisas bem interessantes e aplicáveis ao dia a dia de um PMO. Também vale a pena conferir.

Dei uma olhada agora há pouco nos CDs dos congressos Globais do PMI desde 2006, no EUA e na Europa. Em quase 1.000 papers não encontrei nenhuma referência nos títulos das palestras. Enfim, parece que algo mais estruturado sobre o tema, infelizmente não há. Está aí uma boa oportunidade!

Recebi pelo Twitter uma excelente recomendação sobre o tema, vinda do meu amigo Farhad Abdollahyan (@farhadak), professor da FIA/USP e FGV e especialista na área de projetos. Ele sugeriu uma visita ao website da OGC, onde é possível encontrar a metodologia sobre o tema MoV (Management of Value). O Farhad conhece profundamente as metodologias propostas pela OGC e para quem tiver interesse, sugiro um contato com ele pelo Twitter.

Ah sim! E segundo ele, a Vale teria uma área intitulada VMO. Conheço bastante gente por lá e vou pesquisar isso nas próximas semanas. Descobrindo detalhes, coloco um novo post por aqui.

Se alguém souber de algo mais a respeito, não deixe de compartilhar!

Um grande abraço a todos e muito sucesso em 2011!

Lançado nos EUA o livro “The PMO Handbook”, com a participação de Americo Pinto

Foi lançado este mês nos Estados Unidos o livro “The PMOSIG Program Management Offcie Handbook: Strategic and Tactical Insights for Improving Results”, contando com a colaboração de vários profissionais de renome no tema Project Management Office, tais como Kent J. Crawford e Lynda Bourne.

Organizado por Letavec e Bolles, ambos autores de vários livros sobre o tema PMO e diretores do PMOSIG, grupo de interesse do PMI em Escritório de Projetos, o livro aborda o que há de mais inovador e interessante na area.

Esse que vos escreve, em conjunto com meu amigo Marcelo Cota e a Dra. Ginger Levin colaboramos com o capítulo 19, o qual trata o tema maturidade em PMOs.

Neste capítulo, apresentamos o “PMO Maturity Cube”, primeiro modelo internacional dedicado exclusivamente à avaliação de maturidade de PMOs, apresentado em 2010 no PMI Research Conference, em Washington DC, USA.